Uniswap adiciona fundo tokenizado de US$ 2,2 bilhões da BlackRock
A Uniswap e a BlackRock, uma das líderes em gestão de ativos, deram um grande passo na integração entre o mundo das finanças tradicionais e os criptoativos. Recentemente, foi anunciado que o fundo tokenizado BUIDL, que gerencia cerca de US$ 2,2 bilhões, agora poderá ser negociado através da plataforma da Uniswap. Essa novidade fez o token UNI, nativo da Uniswap, subir de preço, passando a ser vendido em torno de US$ 4,36 (cerca de R$ 25,20). O aumento é um reflexo da validação institucional que o protocolo recebeu.
O que está por trás dessa integração?
Essa movimentação marca um momento significativo para o uso de Ativos do Mundo Real (RWA) dentro do espaço das Finanças Descentralizadas (DeFi). Antes, o fundo BUIDL — que é o BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund — era visto principalmente como um ativo passivo em carteiras institucionais. Com a parceria firmada com a Securitize, esses tokens agora podem ser usados ativamente em transações na Uniswap, o maior protocolo de câmbio descentralizado do planeta.
Isso quer dizer que a liquidez proveniente de grandes instituições começa a ser direcionada para o mundo do DeFi, algo que fortalece a percepção de que esse setor está amadurecendo. A BlackRock tem aumentado sua presença no mercado de criptomoedas com novos produtos, como ETFs de Bitcoin e Ethereum, indicando que a tokenização de ativos é uma estratégia de longo prazo.
Como isso funciona na prática?
Apesar de estar disponível na Uniswap, a negociação do BUIDL não é livre como a maioria dos outros tokens. O sistema utiliza o UniswapX, um tipo de protocolo de roteamento que conecta vendedores e compradores através de um sistema chamado RFQ (Request for Quote). Vamos entender como isso acontece?
- Acesso Controlado: Apenas investidores institucionais que foram pré-aprovados e passaram por um processo de KYC via Securitize podem participar.
- Formadores de Mercado: A liquidez não é proveniente de pools comuns, mas de formadores de mercado que estão em uma “lista branca”, como Flowdesk, Tokka Labs e Wintermute.
- Liquidez Rápida: Os detentores de BUIDL podem converter seus títulos de tesouro tokenizados diretamente para a stablecoin USDC de maneira quase imediata.
Esse modelo híbrido busca resolver a questão da liquidez para grandes investidores, permitindo que usem garantias reais dentro do blockchain. É uma iniciativa semelhante a projetos onde ações tokenizadas são usadas como colateral no DeFi, criando novas oportunidades para ativos tradicionais.
Ainda, a integração acontece em um momento em que o mercado está de olho em novos produtos regulados, como o possível ETF spot de Uniswap planejado pela Bitwise, aumentando ainda mais a credibilidade do token UNI.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, o impacto direto é um pouco restrito, pois o fundo BUIDL geralmente requer um capital mínimo elevado — geralmente acima de US$ 5 milhões — e um credenciamento nos EUA. No entanto, o impacto indireto é bastante significativo.
A validação da tecnologia da Uniswap pela BlackRock, que possui mais de US$ 10 trilhões em ativos, pode favorecer o preço do token UNI e fortalecer o ecossistema Ethereum, extremamente popular entre os brasileiros. Além disso, a tendência global de tokenização se reforça com isso. Projeções indicam que o uso de fundos tokenizados deve crescer em grandes centros financeiros e, com iniciativas como o DREX e o sandbox da CVM, o Brasil também pode avançar nesse sentido, permitindo que investidores locais acessem fundos tokenizados com mais facilidade.
Riscos e o que observar
É importante estar atento aos detalhes desse acordo. Apesar do investimento estratégico da BlackRock na Uniswap, a empresa se reservou o direito de interromper sua participação e deixou claro que não recomenda, de forma geral, o protocolo ou o token UNI.
Além disso, a criação de ambientes mais controlados dentro do DeFi levanta questões sobre centralização. Enquanto ativos que circulam livremente somam cerca de US$ 25 bilhões, os ativos restritos em plataformas específicas já ultrapassam os US$ 340 bilhões. O risco regulatório é algo que não deve ser ignorado, e os investidores precisam estar atentos a como a CVM e a SEC vão lidar com essas interações no futuro.




